De acordo com o cronograma do projeto, houve seis sessões sem a presença de cão, das quais participei de três. Aproveitei esse período e levei o Zé duas vezes na Escola Paulista, apenas para se familiarizar com o local. Para essas visitas foi necessária alguma preparação.
Começamos com o problema da reação dele a barulhos. O caso era que gostávamos de provocar o Zé fazendo barulhos estranhos. Morríamos de rir com a agitação dele quando imitávamos o gluglu do peru. Mas, na Escola Paulista há muitos ruídos incomuns produzidos pelos alunos e por seus equipamentos, como as cadeiras de rodas. Então, a Lara e eu começamos a dessensibilizar o Zé para esse tipo de coisa, como as meninas do
INATAA ensinaram no curso. Fizemos isso por todo o mês de janeiro, gritando, chorando, uivando, jogando coisas no chão. Fomos muito piores que qualquer aluno da
Escola Paulista e também nos divertimos muito. E o resultado é que ele já não dá a mínima para os ruídos.
Outro problema era a forma como o Zé pega o petisco da mão, quase arrancando os dedos da gente. Para isso também fiz algum treinamento, mas não tão bem sucedido. Às vezes ele pega direito e outras não. Preciso voltar a treinar isso todos os dias. Felizmente até hoje quase ninguém quis dar petisco. Só a Marie, na última visita, que quase ficou sem mão.
Ensinei também um pequeno truque que aprendemos com a Cristina e a Alina, em que o cão senta junto da pessoa, de costas para ela.
Enfim, as visitas aconteceram.
Na primeira, no dia 11 de fevereiro, o Zé entrou na escola um pouco receoso, o rabo entre as pernas (mas não colado na barriga), as orelhas num movimento de periscópio, atentas para todos os lados, farejando bastante. Isso durou até chegarmos ao pátio interno, onde havia uma piscina de bolinhas. Acho que esse foi um dos momentos mais marcantes da vida do Zé! Um número infinito de bolas e todas ao alcance dele! Rapidamente ele apanhou uma e ofereceu para a criança mais próxima. O rapaz pegou e jogou a bola. O Zé esqueceu tudo e apanhou, não só essa, mas um monte de bolas que o menino jogou para ele. Outras crianças vieram e o Zé a cada momento devolvia para uma criança diferente. Assim, mesmo quem não participava do jogo podia desfrutá-lo. A bolinha da piscina foi destruída e a substituí por uma que eu tinha levado.
Nessa visita, muito informal, fizemos alguns truques, visitamos algumas salas, praticamos o truque da Alina, especialmente com os portadores de PC, e levei o Zé para conhecer a sala usada para atendimento. Deu tudo certo, a Juliana conheceu o Zé, gostou dele e o considerou promissor.
O pior que aconteceu foi um xixi de marcação no ponto mais remoto do pátio. Felizmente, levo o kit limpeza e não houve grande prejuízo.
Na segunda, no dia 25 de fevereiro, levamos junto a Twiggy, "estepe" do Zé, e minhas filhas Mariana e Lara. A Lara conduziu o Zé e eu, a Twiggy. A Juliana organizou uma atividade no bosque e lá fizemos uma fuzarca. Tinha cachorro correndo para tudo quanto é lado, atrás das bolinhas. Fizemos o possível para que todos participassem. Até mesmo uma menina muito fechada na sua estereotipia mostrou interesse, especialmente pelo Zé, que lhe devolvia as bolas. Também fizemos atividades mais calminhas, como passar a mão e fazer carinho no cachorro, e mostrar alguns truques, como rodar, deitar e rolar.
Nesta segunda visita o Zé se mostrou muito mais calmo desde o início, transitando sem cerimônia pelos diversos espaços da escola e cumprimentando os alunos. Naturalmente, adorou o bosque, assim como a Twiggy. Houve apenas um ensaio de xixi, no mesmo maldito lugarzinho.
Essas visitas foram muito produtivas, pois os cães conheceram o local e o associaram a atividades agradáveis. Por outro lado, a terapeuta, Juliana, conheceu os cães e teve a oportunidade de avaliar as possibilidades de trabalho que eles oferecem, pois cada cão é um cão.
Havia uma terceira visita programada, mas não pudemos cumprir nosso compromisso.
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| Zé em ação |
Esta é a Twiggy