terça-feira, 26 de abril de 2011

Ainda no Bosque - G. - 6 de Abril

Acho que na hora em que os pais de G. assistirem o filme deste dia, vão tomar a decisão de arrumar um border para seu filho! Do início ao fim os dois ficaram conectados. G. jogou a bola dentro das regras, permitindo que nós jogássemos na nossa vez. Conseguiu pegar a bola da boca do Zé, mostrando uma diminuição do receio. Buscou água sozinho para o cachorro, manipulando, enchendo e carregando a vasilha. Depois observou entusiasticamente o Zé bebendo água.

Acredito que para o Zé esta sessão também foi gratificante. Comportou-se corretamente e não tive que corrigi-lo. Para ser sincera, ao ver o filme, dá vontade de doar o Zé para o G. Um menino de seis anos é tudo de que o Zé precisa. Um cão bonito e amoroso cairia muito bem para G.

Ainda no Bosque - L. - 6 de Abril

Começamos com o menino calminho. A Juliana insistiu, insistiu e finalmente conseguiu que L. atirasse a bolinha. Naturalmente ela contou com a colaboração entusiasmadíssima do Zé. 

A coisa só funcionou mesmo quando sentamos todos juntos e fiz o Zé se deitar conosco. Nessa hora ele até colocou a bola no colo do L. 

Novamente L. se assustou com os movimentos bruscos do Zé.
Embora a sessão tenha corrido bem, avaliei que foi muito estressante para o Zé. Ele ficou muito ansioso para brincar, muito agitado. Acho que isto não pode acontecer. A solução seria atender primeiro o G., ou, melhor ainda, chegar cedo e trabalhar um pouco com ele para baixar seu nível de ansiedade.

No Bosque - Sessão com L. - 30 de março

Nesta sessão L. basicamente não interagiu com o Zé. O ambiente externo o fascinou. Ficou muito tranquilo, observando as folhinhas. O Zé só serviu para perturbá-lo, com seu conhecido estabanamento. Mesmo quando o fiz deitar e tentei acalmá-lo, L. pouco se interessou. Tenho vontade de trazer um cachorro mais afetuoso, como a Nega ou a Taiga, para trabalhar com ele. No final dessa sessão saí com a impressão de que seria muito difícil o estabelecimento de uma ligação entre os dois.


Bônus
O Zé aparentemente adora ir à Escola Paulista. E é correspondido. Ele costuma circular entre crianças e jovens, às vezes entra em alguma sala e faz festa. Ele aprendeu direitinho o truque da Alina, de se sentar de costas para a pessoa. Gosta de carinho e arrumou alguns grandes amigos.


No Bosque - Sessão com G. - 30 de março

Neste dia a Juliana decidiu realizar as sessões no bosque, uma área verde pertencente à escola. 
Começamos buscando G. na sua sala de aula. 
Muito animado, ele quis conduzir o Zé e colocamos duas guias. Como o Zé também estava muito animado, penei um pouco para controlá-lo. 
Foi só chegar no bosque para a brincadeira começar. G. entusiasmou-se atirando a bola e ficou difícil dizer quem estava mais feliz: o cachorro ou o menino. Só tive que intervir quando a Juliana pediu que participasse de uma espécie de jogo, em que o Zé entregava a bola cada vez para um de nós. O diacho é que meu cachorro demorou um bocado até entregar a bola para mim. Nem parecia meu, preferindo brincar com a Marie, a Juliana e o G. 
Isso é que é entusiasmo!

Depois disso, tivemos alguns momentos de descanso em que o Zé foi escovado e acariciado pelos dois. Fui buscar água e G. deu a vasilha para o Zé. 
Hora de descansar

Numa terceira etapa, deixamos G. brincar sozinho com o Zé para que ele resolvesse os problemas eventuais com autonomia. Foi muito divertido quando ele se zangou com o Zé porque ele não devolvia bola. 
Tô de mal

G., na verdade, tem ainda muito receio da boca do Zé e não arrisca a mãozinha muito perto dela. Seja como for, G. resolveu tudo sem sequer pedir ajuda. 
Ai que medinho...

Na volta para a sala o Zé acompanhou espontaneamente o menino, mostrando já algum tipo de vínculo entre os dois. Essa foi uma sessão em que fui muito pouco solicitada e em que o animal pode se comportar da forma mais natural possível.

2a. Sessão ( ainda no dia 23 de março)

A segunda sessão foi com L., um garoto de 10 anos, com um grau de comprometimento bem maior do que G. 
L. anda com alguma dificuldade, fala apenas algumas palavras com significado em meio a uma bonita cantoria. É muito carinhoso e meigo. O objetivo da Juliana é melhorar a comunicação e o engajamento em atividades. 
No princípio ele simplesmente ignorou a presença do Zé. Depois de alguns minutos de agitação, a Juliana dirigiu a atenção de L. ao cão, que respondeu prontamente. O Zé estava desesperado para arrumar um parceiro para o jogo da bolinha e se dirigiu a L. O menino se desviou do cão, parecendo receoso. Mas se acalmou e quando sentamos todos juntos, acariciou o Zé espontaneamente. Tentamos o uso de escovas, com pouco sucesso. L. se interessou pela cauda do Zé, ficou muito tranquilo e sem demonstrar medo algum nos momentos em que fiz o cachorro se deitar e ficar quieto. Parece que ele se assusta com os movimentos bruscos do cão. O Zé é meio estabanado mesmo. Não tem a delicadeza de um golden ou de um bernês. Mas não é capaz de machucar, e provavelmente L. se acostumará com seus movimentos bruscos. Fiquei muito contente com o comportamento do Zé, que se deitou quieto e inclusive gostou bastante dos carinhos que ganhou da gente, mostrando seu lado amoroso. Mas tive que usar a bolinha e dar comando para deitar, pois o que ele queria mesmo era brincar.

Carinho espontâneo

Sessão carinhos


domingo, 10 de abril de 2011

1a. SESSÃO

A primeira sessão foi com G., um garotinho de seis anos, muito esperto e bonito. O objetivo da Juliana na terapia é fazer com que ele participe de jogos e brincadeiras com outras pessoas, pois G. tende a brincar sozinho, principalmente de faz-de-conta. G. também não compartilha seus brinquedos e quer os dos outros só para ele, tendo ataques de raiva ao não conseguir o que deseja.

Desde o início da sessão o menino se interessou pelo cão. Durante vários minutos brincamos de jogar a bola. O Zé, como sempre democrático, entregou a bola para todo mundo. Evitou um pouco o G., porque este demonstrava algum medo, ao lado do interesse e do evidente prazer em jogar a bola. Algumas bolas têm uma textura diferente e são facilmente destruídas, e quando o Zé as pegava, ficava mascando sem parar e a coisa ficava meio sem graça. Seria conveniente que eu interferisse nessa hora, interrompendo a mastigação e eliminando as bolas mastigáveis. Coisa que não fiz, como boa marinheira de primeira viagem.

Houve um momento de descanso, em que o Zé se deitou e todo mundo ficou escovando seu pelo. Ele se comportou muito bem, pois adora ser acarinhado, seja de que forma for. Depois, a Juliana propôs uma brincadeira com bichinhos de borracha e o Zé falhou lamentavelmente. Dificilmente ele busca brinquedos, pois em casa, os bichinhos de borracha pertencem a outros cães, mais jovens, e o Zé é proibido de brincar com eles (por uma questão de conservação dos nossos bens terrenos). No final da sessão, G. concordou em doar um dos bichinhos para o Zé, para que ele aprendesse a brincar.

Brincamos também de jogar a bolinha um para o outro sem deixar o Zé pegar. Achei que essa parte foi a mais divertida.

Ao final da sessão já estava muito mais tranquila. Acredito que, no geral, o Zé se saiu muito bem e, importante, gostou do seu trabalho. E eu também!

G. com medo do Zé
 
Zé pegando brinquedo
Jogo com bola (Zé não pode pegar)
Sessão escovação













PREPARANDO A ESTRÉIA

No dia 23 de março fizemos nossa estréia.

A preparação padrão que usamos é a recomendada pelo INATAA: banho no dia da visita ou alguns dias antes, escovação dos dentes, escovação do pelo. O voluntário humano também deve estar limpo e com a camiseta da ONG. Preparamos uma bolsa com o kit limpeza (saquinhos plásticos, desinfetante, papel toalha), petiscos, brinquedos, uma toalha pequena, lenços umedecidos, escova.
Gosto também de manter em dia a higiene de guias, coleiras e bandanas. O Zé usa duas coleiras: um enforcador de tecido e um peitoral especial chamado easy-walker. Ambas são importadas e seus fabricantes prometem maior conforto para o cão. Normalmente uso o enforcador e coloco a guia da pessoa atendida no peitoral, quando fazemos passeios. Ambas permitem controle do animal, mas acho o enforcador mais eficiente.
Todo esse preparo consome um bom pedaço da manhã. Muito mais tempo do que os 40 minutos de trabalho efetivo do cão com as crianças.

Em termos de comportamento, o único trabalho preparatório foi o de acostumá-lo com a coleta de saliva. Para isso usa-se um par de palitos parecidos com cotonetes, mas bem mais compridos, que precisam ser enfiados na boca. A Marie me deu alguns palitos e tentei acostumar o Zé a eles, colocando os palitos e oferecendo petiscos por vários dias. Digamos que ele os aceita, porém às vezes ele mastiga e engole o algodão. A parte boa é que ele é um cachorro babão, o que facilita a coleta.
Como contei na última postagem, simplesmente esqueci de trabalhar a aceitação de petiscos.

O ideal teria sido chegarmos com bastante antecedência, para que o Zé pudesse reconhecer o local, onde tinha estado só duas vezes. Infelizmente nem sempre o ideal é possível. Chegamos em cima da hora!
Estávamos bem nervosos, especialmente esta que vos escreve. A ansiedade estava emanando por todos os poros, apesar da certeza que sempre tive de que o Zé seria um bom cão terapeuta.
Há um motivo: minha filha mais nova, a Lara, que se tornou proprietária do Zé aos 9 anos, tinha diagnóstico de dislexia e DDA. A prática do agility a ajudou a adquirir a noção de esquerda e direita, a desenvolver a coordenação motora e a orientação espacial. Passear com o Zé a auxiliou na socialização, outra dificuldade. Conversar com o Zé e estar com ele ainda tem efeito tranquilizante sobre ela. Ele é um cachorro amoroso e perfeitamente acostumado com crianças, sendo bem mais cuidadoso que os demais border collies no trato com humanos. Ele adora gente! Especialmente gente pequena. Por isso eu botava tanta fé nele. Ele tem muita experiência como "cão terapeuta" da Lara...


Agility

Aniversário de 10 anos

domingo, 3 de abril de 2011

Primeiras Visitas


Zé e seu olhar

De acordo com o cronograma do projeto, houve seis sessões sem a presença de cão, das quais participei de três. Aproveitei esse período e levei o Zé duas vezes na Escola Paulista, apenas para se familiarizar com o local. Para essas visitas foi necessária alguma preparação.

Começamos com o problema da reação dele a barulhos. O caso era que gostávamos de provocar o Zé fazendo barulhos estranhos. Morríamos de rir com a agitação dele quando imitávamos o gluglu do peru. Mas, na Escola Paulista há muitos ruídos incomuns produzidos pelos alunos e por seus equipamentos, como as cadeiras de rodas. Então, a Lara e eu começamos a dessensibilizar o Zé para esse tipo de coisa, como as meninas do INATAA ensinaram no curso. Fizemos isso por todo o mês de janeiro, gritando, chorando, uivando, jogando coisas no chão. Fomos muito piores que qualquer aluno da Escola Paulista e também nos divertimos muito. E o resultado é que ele já não dá a mínima para os ruídos.
Outro problema era a forma como o Zé pega o petisco da mão, quase arrancando os dedos da gente. Para isso também fiz algum treinamento, mas não tão bem sucedido. Às vezes ele pega direito e outras não. Preciso voltar a treinar isso todos os dias. Felizmente até hoje quase ninguém quis dar petisco. Só a Marie, na última visita, que quase ficou sem mão.
Ensinei também um pequeno truque que aprendemos com a Cristina e a Alina, em que o cão senta junto da pessoa, de costas para ela.

Enfim, as visitas aconteceram.
Na primeira, no dia 11 de fevereiro, o Zé entrou na escola um pouco receoso, o rabo entre as pernas (mas não colado na barriga), as orelhas num movimento de periscópio, atentas para todos os lados, farejando bastante. Isso durou até chegarmos ao pátio interno, onde havia uma piscina de bolinhas. Acho que esse foi um dos momentos mais marcantes da vida do Zé! Um número infinito de bolas e todas ao alcance dele! Rapidamente ele apanhou uma e ofereceu para a criança mais próxima. O rapaz pegou e jogou a bola. O Zé esqueceu tudo e apanhou, não só essa, mas um monte de bolas que o menino jogou para ele. Outras crianças vieram e o Zé a cada momento devolvia para uma criança diferente. Assim, mesmo quem não participava do jogo podia desfrutá-lo. A bolinha da piscina foi destruída e a substituí por uma que eu tinha levado.
Nessa visita, muito informal, fizemos alguns truques, visitamos algumas salas, praticamos o truque da Alina, especialmente com os portadores de PC, e levei o Zé para conhecer a sala usada para atendimento. Deu tudo certo, a Juliana conheceu o Zé, gostou dele e o considerou promissor.
O pior que aconteceu foi um xixi de marcação no ponto mais remoto do pátio. Felizmente, levo o kit limpeza e não houve grande prejuízo.

Na segunda, no dia 25 de fevereiro, levamos junto a Twiggy, "estepe" do Zé, e minhas filhas Mariana e Lara. A Lara conduziu o Zé e eu, a Twiggy. A Juliana organizou uma atividade no bosque e lá fizemos uma fuzarca. Tinha cachorro correndo para tudo quanto é lado, atrás das bolinhas. Fizemos o possível para que todos participassem. Até mesmo uma menina muito fechada na sua estereotipia mostrou interesse, especialmente pelo Zé, que lhe devolvia as bolas. Também fizemos atividades mais calminhas, como passar a mão e fazer carinho no cachorro, e mostrar alguns truques, como rodar, deitar e rolar.
Nesta segunda visita o Zé se mostrou muito mais calmo desde o início, transitando sem cerimônia pelos diversos espaços da escola e cumprimentando os alunos. Naturalmente, adorou o bosque, assim como a Twiggy. Houve apenas um ensaio de xixi, no mesmo maldito lugarzinho.


Essas visitas foram muito produtivas, pois os cães conheceram o local e o associaram a atividades agradáveis. Por outro lado, a terapeuta, Juliana, conheceu os cães e teve a oportunidade de avaliar as possibilidades de trabalho que eles oferecem, pois cada cão é um cão.

Havia uma terceira visita programada, mas  não pudemos cumprir nosso compromisso.

Zé em ação




                                                               Esta é a Twiggy

sábado, 2 de abril de 2011

Como e porquê

A finalidade deste blog é relatar as atividades do Zé como cão terapeuta do Projeto Infante. Este projeto, coordenado pelas Dras. Marie Odile Chelini e Emma Otta do Instituto de Psicologia da USP, tem por objetivo observar e avaliar o uso de cães na terapia de crianças autistas. O Projeto é uma parceria do IPUSP, da Marinha do Brasil e, recentemente, do INATAA. O Zé e esta que vos escreve formamos uma das duplas participantes. Nós pertencemos ao INATAA e somos supervisionados pela Kátia Aiello e Carla Barabara Venturelli, as responsáveis pela diretoria de comportamento animal. O blog é dirigido a todas as pessoas participantes do projeto,especialmente a  turma do INATAA, que poderão palpitar e trocar idéias. Outros eventuais visitantes também são bem vindos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Um Zé que não é José

Este Zé não é um zé qualquer. É Zé de Zebedeu, um pescador rico e pai de dois apóstolos. Zebedeu também é um border collie de quatro anos que faz parte de nossa família.